Portugal tem 31% da população com mais de 60 anos. Esta geração apoia financeiramente filhos e netos em 81% dos casos, o valor mais alto de toda a Europa. Os dados são do Barómetro Europeu do Consumo do Observador Cetelem 2026, dedicado ao consumo sénior e ao choque demográfico no continente. O estudo mostra que os portugueses nesta faixa etária não são uma geração passiva à espera de apoio. São, em muitos casos, o suporte económico das famílias.
Oito em cada dez apoiam filhos e netos e 92% consideram esse apoio fundamental. Cobrem despesas, emprestam dinheiro e ainda ajudam nas rendas. O problema deste suporte é que muitas vezes as reformas são insuficientes. Os custos de saúde aumentam com a idade e o dinheiro disponível para sustentar outros membros da família vai reduzindo logo quando as necessidades próprias começam a crescer.
Hugo Lousada, diretor de Marketing B2B & B2C do Cetelem, sintetiza bem o que os números descrevem: os seniores portugueses são hoje "um dos grandes pilares de estabilidade da sociedade". Uma geração que mantém uma vida ativa e continua a apoiar financeiramente quem mais ama, mas que enfrenta a pressão crescente de preservar o poder de compra e a independência numa economia cada vez mais exigente.
O vínculo dos portugueses com a casa própria
O que define essa parcela da população é a clareza sobre o que querem para o futuro: para 72%, envelhecer bem significa ter estabilidade financeira. Para 91%, significa ter saúde. As duas prioridades estão profundamente ligadas, e as duas dependem, em boa parte, da casa.
Um segundo relatório do Observador Cetelem, desta vez dedicado à habitação, revela que 90% dos portugueses estão ligados à sua habitação, acima da média europeia de 89%. E 49% dizem estar fortemente ligados. Não é apego passivo. É identidade. É o lugar onde se criou família, onde se passou a vida, onde se quer continuar. O próprio estudo descreve a casa como um refúgio emocional que vai muito além do valor de mercado.
A satisfação com a habitação confirma este vínculo: 94% dos portugueses estão satisfeitos com a casa onde vivem, ligeiramente acima dos 92% da média europeia. Mas é quando cruzamos este dado com o perfil da geração sénior que o paradoxo se torna evidente. São as pessoas que mais amam a casa e que mais querem nela permanecer, as que mais precisam de liquidez. E essa liquidez está, na maior parte dos casos, fechada entre as quatro paredes que não querem abandonar.
Usufruto imobiliário: como transformar o valor da casa em liquidez sem sair dela
A casa vale muito. Mas não paga contas. A maioria dos portugueses com mais de 60 anos tem um ativo valorizado, num mercado que cresceu mais de 180% entre 2015 e 2025, o segundo maior aumento de toda a União Europeia segundo o Eurostat. Esse ativo está, na maior parte dos casos, parado.
O usufruto imobiliário existe para resolver exatamente esta equação: permite transformar o valor acumulado da casa em capital líquido, sem sair de casa, sem abdicar do direito de a habitar pelo resto da vida. A segurança emocional que os portugueses tanto valorizam mantém-se intacta. O que muda é a capacidade de agir, de apoiar quem se ama, de cuidar da própria saúde, de viver com tranquilidade financeira.
Não é uma solução nova. É um direito civil que existe há décadas no ordenamento jurídico português. O que faltava era um mercado organizado, transparente e acessível para o tornar real.
A UZU estrutura transações de usufruto imobiliário, ligando proprietários a investidores. Se quiser perceber como funciona no seu caso concreto, fale connosco.