
Usufruto e reforma: o que o novo relatório do Governo diz sobre o património imobiliário dos seniores
Relatório oficial recomenda mobilizar o património imobiliário na reforma. Confira o que isto significa para os proprietários seniores em Portugal

Desconto na aquisição, garantia legal, zero gestão. Vale a pena conhecer e investir em nua propriedade
Por Roberta Lucena
15 Jun 2026
Há um tipo de investidor que não gosta de gerir. Não quer receber chamadas às 22h porque a caldeira avariou. Não quer passar férias a negociar com inquilinos. Esse investidor existe. É mais comum do que parece. E até há pouco tempo, o mercado imobiliário não tinha grande resposta para ele. A nua-propriedade tem.
Quando alguém decide alocar capital ao imobiliário em Portugal, as opções convencionais são bem conhecidas: comprar para arrendar, investir em fundos imobiliários, ou entrar em projetos de promoção. Cada uma tem a sua lógica, os seus riscos e o seu perfil de gestão.
O arrendamento gera rendimento periódico, mas exige envolvimento contínuo. Os fundos oferecem liquidez, mas afastam o investidor do ativo real. A promoção pode gerar retornos elevados e riscos equivalentes. O que faltava era uma estrutura que combinasse três coisas que raramente aparecem juntas: exposição direta ao imobiliário, ausência de gestão operacional, e entrada com valor de aquisição abaixo do mercado. A nua-propriedade é, na prática, essa combinação.

Um proprietário sénior tem uma casa. Tem também, muitas vezes, uma reforma que não chega ao fim do mês, situação que os dados confirmam com regularidade. Portugal mantém-se entre os países europeus com maior taxa de proprietários de habitação, em particular nas faixas etárias mais avançadas.
Contudo, esta realidade convive com um paradoxo crescente: muitos destes proprietários vivem com rendimentos mensais limitados, frequentemente insuficientes para garantir conforto financeiro próprio. Este proprietário não quer sair de casa. Quer continuar a viver ali, com a sua rotina, os seus vizinhos, a sua história. O que quer é transformar o valor do imóvel em liquidez, sem ter de o vender no sentido convencional.
É aqui que entra o modelo do usufruto. O proprietário cede à nua-propriedade ao investidor, o direito de, no futuro, ser o dono pleno do imóvel. Em contrapartida, recebe capital imediato e mantém o direito de habitar a casa por tempo vitalício ou determinado. O investidor, por sua vez, adquire um ativo imobiliário real, registado em escritura pública a seu nome, por um valor substancialmente abaixo do mercado. Não é uma operação complexa. É uma operação diferente das que o mercado habituou.
Esta é a pergunta que vale a pena responder com honestidade, porque a nua-propriedade não é o produto certo para todos os perfis. Não faz sentido para quem precisa de liquidez imediata. O retorno não é um yield mensal. É um desconto de entrada abaixo do valor de avaliação, que se realiza quando o usufruto se extingue e o investidor passa a deter a plena propriedade. Quem precisa de cash flow corrente deve procurar outra estrutura.
Faz sentido para quem tem horizonte: O investidor certo é aquele que consegue olhar para um activo de longo prazo sem ansiedade. Que entende que fixar o preço de aquisição hoje, neste patamar, num mercado imobiliário que registou um crescimento de 21% em investimento em 2025 e entra em 2026 com bases sólidas, é uma decisão patrimonial fundamentada.
Faz sentido para quem quer exposição ao imobiliário sem gestão: A nua-propriedade não tem inquilinos, não tem contratos de arrendamento, não tem obras de manutenção a gerir. O imóvel está habitado, pelo usufrutuário, que mantém essa obrigação, e o investidor aguarda a consolidação do seu direito sem qualquer intervenção operacional.
Faz sentido para quem valoriza activos tangíveis com garantia legal: A operação é formalizada por escritura pública com registo predial. O investidor é proprietário, de forma plena e juridicamente reconhecida, desde o momento da transação. Num contexto em que muitos produtos de investimento existem apenas como entradas numa base de dados, ter o nome inscrito no registo predial de um imóvel em Lisboa ou no Porto, por exemplo, tem um peso concreto.
O valor de aquisição da nua-propriedade é calculado com uma ferramenta de propriedade intelectual UZU, com base em tabelas atuariais, na idade do usufrutuário, no valor de avaliação independente do imóvel e num conjunto de fatores objetivos. É um desconto previsível, auditável e com base jurídica definida. Traduzindo para o que interessa ao investidor: está a comprar um activo real, abaixo do seu valor de mercado, por uma razão legalmente definida e não por qualquer fragilidade do activo em si.
Em 2026, observa-se uma maturação do investidor imobiliário, com decisões cada vez mais orientadas por dados concretos, como preço por metro quadrado, estrutura jurídica da operação, risco regulatório e liquidez do mercado. A nua-propriedade responde exactamente a esse padrão de análise: tem preço verificável, tem estrutura legal sólida, e enquadra-se num mercado imobiliário português que continua a apresentar fundamentos estruturalmente favoráveis.
Em 2024, o índice de envelhecimento em Portugal atingiu 192,4 idosos por cada 100 jovens. A tendência vai continuar. O número de proprietários sénior com imóveis de valor e rendimentos de reforma insuficientes vai aumentar. O stock de operações disponíveis vai crescer.
Com a UZU, o mercado da nua-propriedade em Portugal está a ser estruturado. Os investidores que entram agora não estão a descobrir um produto maduro e saturado, estão a posicionar-se numa classe de activos que tem toda a lógica financeira e demográfica para se desenvolver de forma consistente nos próximos anos.
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