Há um imóvel no Porto, numa rua já recuperada do centro histórico, à venda há três anos. Sem propostas. Sem visitas recentes. Pertence a um grupo de primos, alguns diretos, outros de segundo grau, que herdaram em conjunto e nunca chegaram a um acordo. Um queria vender. Outro não tinha pressa. Um terceiro achava que o preço devia ser mais alto, porque a ligação afetiva à casa lhe inflacionava, na cabeça, o valor de mercado.
A história foi contada por Sofia Dejean, consultora da iad Portugal, no episódio mais recente do podcast Let's Get Real Estate apresentado pelo Ricardo Marques, CEO adjunto da IAD. Ao lado deles estava Miguel Regel, Chief Business Officer UZU, convidado para falar sobre o usufruto, como resposta concreta a um tema que a maioria das famílias portuguesas prefere não tocar: herança, património, sucessão.
Por que falar de herança ainda é um tabu em Portugal
Para Regel, o problema não é falta de informação. É cultural."O grande problema aqui não é por falta de literacia financeira. É efetivamente as famílias não falarem entre si. Os pais evitam o tema porque falar nele é, de certa forma, antecipar a própria morte. Os filhos evitam porque têm medo de parecer interessados a mais”
Quando o silêncio se prolonga até ao falecimento, o resultado é o que Sofia Dejean vê repetidamente na rotina como consultora: imóveis parados, herdeiros com expectativas diferentes sobre o mesmo bem, uma divisão que devia ter sido conversada em vida e se transforma em processo depois da morte. Mas há um detalhe na experiência da UZU que confirma, com números, a razão de ser do negócio, não são os pais que costumam procurar a UZU primeiro.
"Muito surpreendentemente, a maioria das pessoas que nos aborda sobre este tipo de situações são os próprios filhos, normalmente entre os 30 e os 40 anos, preocupados com pais entre os 65 e os 80. O usufruto deixa assim de ser "produto para idosos" e passa a ser o que realmente é, resposta a uma conversa familiar que já está a acontecer, ainda que tarde".
A figura jurídica, como recordou Regel, não é nova, existe desde 1966 e é usada há décadas em contexto privado, sobretudo entre famílias com mais conhecimento jurídico ou financeiro. O que a UZU traz é estrutura. Um modelo de cálculo transparente para o desconto sobre a propriedade plena, e uma plataforma onde a venda acontece com regras claras para quem vende e para quem investe. replicando em Portugal o que já existe, à escala muito maior, em França e na Itália.
Para que serve o usufruto além do planeamento de herança
Na última parte da entrevista, Regel desfez a ideia de que o usufruto serve só para resolver herança. Na experiência UZU, a venda da propriedade de raiz com manutenção do usufruto aparece em situações bem mais variadas.
"Há o senhor que tem casa mas não tem reforma que chegue, o perfil mais comum entre os clientes seniores. Há os pais que vendem a propriedade de raiz para ajudar os filhos a comprar casa ou a pagar as despesas de um neto. Há casais em divórcio, em que um dos cônjuges mantém o usufruto enquanto a propriedade de raiz é vendida, evitando litígios prolongados sobre um bem que não se pode dividir ao meio. Há até promotores com stock parado, outra frente que a empresa já está a explorar".
E há o caso, contado por Regel, que resume melhor do que qualquer argumento técnico por que isto importa. Um contabilista que vive no sul do país, com quatro filhos de dois casamentos, decidiu vender a propriedade em vida e distribuir já o valor entre os herdeiros. Passou 25 anos a garantir que os quatro se davam bem e não ia deixar que isso se desfizesse depois de ele morrer. É nesse espaço que a UZU diz operar, com o usufruto como ferramenta central, não como solução única, mas como caminho concreto para uma conversa que deve acontecer em todas as famílias.
Quer entender se o usufruto faz sentido para o património da sua família? A UZU disponibiliza uma calculadora própria para simular o valor da venda da propriedade de raiz com reserva de usufruto. Fale connosco!
Ouça o episódio completo do podcast Let's Get Real Estate, com Miguel Regel (Chief Business Officer da UZU) e Sofia Dejean (iad Portugal), moderado por Ricardo Marques.