O acesso à habitação em Portugal tem-se tornado progressivamente mais desafiante na última década, num contexto marcado pela valorização acelerada dos preços imobiliários e por uma evolução mais lenta dos rendimentos das famílias. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, entre 2016 e 2025 o valor mediano do metro quadrado mais do que duplicou a nível nacional, com especial incidência nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, no Algarve e na Região Autónoma da Madeira.
Segundo Gonçalo Antunes, professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e especialista em políticas de habitação, nos últimos dez anos a evolução do mercado de habitação foi muito mais rápida e intensa do que a evolução dos rendimentos familiares. “Esta situação tem criado um cenário de desequilíbrio que se tem agravado de ano para ano, condicionando seriamente o acesso à habitação, num problema que já não diz respeito apenas a um segmento de mais baixo rendimentos, mas que afeta a classe média e segmentos de rendimentos superiores”, afirma.