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Projeções da Pordata: um milhão de portugueses não terá apoio familiar na velhice
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Projeções da Pordata: um milhão de portugueses não terá apoio familiar na velhice

Com portugueses sem rede de apoio no futuro, o usufruto surge como alternativa para garantir liquidez e autonomia nesta altura da vida

Por Roberta Lucena

06 Mai 2026

Na direção contrária, o Expresso publicou esta semana uma projeção da Pordata que afirma que um milhão de portugueses não terá rede de apoio familiar quando chegar à velhice. A quebra de natalidade em Portugal não é novidade.

A geração que hoje tem entre 35 e 40 anos vai envelhecer de uma forma diferente das anteriores. Metade terá apenas um filho. Muitos não terão nenhum. A rede familiar que funcionou como sistema de segurança informal durante décadas vai deixar de existir para uma parte significativa da população.

Projeções da Pordata: um milhão de portugueses não terá apoio familiar na velhice

Os dados foram aprofundados por Luísa Canto e Castro Loura, diretora da Pordata da Fundação Francisco Manuel dos Santos, numa sessão de esclarecimento organizada pela Merck e dirigida a jornalistas. A especialista apresentou projeções sobre o núcleo familiar de apoio dos idosos nas próximas décadas e o que mostram é difícil de ignorar.

"Atualmente, uma pessoa com mais de 75 anos tem, em média, vários filhos e irmãos. No futuro, isso deixará de ser assim", alertou.

As estimativas indicam que 40% dos idosos serão filhos únicos. Cerca de 20% não terá qualquer familiar direto disponível para apoio. Se incluirmos os casos com apenas uma pessoa de suporte, quase metade da população idosa ficará em situação de vulnerabilidade.

"As gerações mais novas não vão ter o mesmo suporte familiar. E isso é particularmente relevante numa sociedade como a portuguesa, onde o apoio familiar é o principal pilar", afirmou a responsável, que deixou um aviso direto: quem não tem filhos tem de começar a poupar.

Mas poupar exige rendimento disponível. E numa altura em que o custo de vida aumentou, o arrendamento custa em média 1.335 euros por mês e os preços das casas atingiram máximos históricos pelo sexto mês consecutivo, o rendimento disponível de quem está nos 40 ou 50 anos está sob pressão.

Para quem já tem uma casa própria, o imóvel representa o ativo mais valioso que possui. Em abril de 2026, o preço mediano em Lisboa era de 6.109 euros por metro quadrado. No Porto, 4.044 euros. Um apartamento T2 em qualquer destas cidades representa um valor que, na maioria dos casos, supera em muito as poupanças acumuladas ao longo de uma vida. Mas esse valor está imobilizado. Não rende. Não cobre despesas mensais. E para o aceder seria necessário vender e, com os preços atuais do mercado, não haveria forma de ficar no mesmo sítio.

O que é o usufruto e como funciona

O usufruto permite que um proprietário converta o valor do imóvel em liquidez sem sair de casa. Vende a nua-propriedade a um investidor, recebe o capital da transação e mantém o direito de habitar o imóvel até ao fim da vida. O direito de usufruto está consagrado no Código Civil português, nos artigos 1439.º e seguintes, e extingue-se com a morte do usufrutuário.

O desconto aplicado ao valor de mercado, consoante a idade do proprietário e as características do imóvel, corresponde ao tempo que o investidor vai esperar até ter acesso pleno ao bem. Para o proprietário, esse desconto é o custo de manter o lar e receber o capital em simultâneo. Em muitos casos, é um custo que faz sentido pagar.

Quem deve considerar o usufruto e em que momento da vida

Na prática que acompanhamos em Portugal, a maioria das transações de usufruto é iniciada por proprietários a partir dos 65 anos, motivados por este mesmo equilíbrio: querem continuar em casa e precisam de liquidez para viver com autonomia.

Para quem está nesta altura da vida e quer reforçar a autonomia financeira antes de depender de filhos ou do Estado, é uma decisão de planeamento. Para quem não tem filhos e olha para os próximos 20 anos sem rede familiar, é uma ferramenta de segurança.

O usufruto não resolve a crise demográfica. Não substitui políticas de natalidade, sistemas de pensões reformulados ou redes de cuidados adequadas. Mas responde a uma necessidade imediata de pessoas reais: como é que um proprietário com um imóvel valorizado garante autonomia financeira na velhice, com ou sem rede familiar, sem abdicar do único sítio onde quer estar. A resposta não é nova. O que é novo é o momento em que Portugal precisa de a ouvir.

A UZU é um marketplace especializado em transações de usufruto imobiliário, ligando proprietários a investidores. Se quiser perceber como funciona no seu caso concreto, fale connosco.

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